Patinete, bibicleta elétrica na ciclovia; ciclomotor na rua | Foto: Ilustrativa/ Google AI
[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
- Aumento expressivo: O Rio de Janeiro registrou um salto nos incêndios envolvendo baterias de lítio, com 18 casos apenas no primeiro trimestre de 2026, contra 33 em todo o ano de 2025 e 30 em 2024.
- Perigo em casa: 42% dos incidentes acontecem em residências (quartos, salas e cozinhas), frequentemente durante a madrugada (entre meia-noite e 6h), período associado ao carregamento dos aparelhos.
- Alerta das autoridades: O Corpo de Bombeiros adverte sobre o risco de explosões próximas a materiais inflamáveis e as dificuldades de combater chamas tóxicas que sofrem reignição.
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), através de sua 5ª Seção do Estado-Maior Geral, concluiu um levantamento inédito que acende um alerta vermelho para a segurança doméstica: os incêndios envolvendo dispositivos eletrificados e baterias de íons de lítio estão em crescimento progressivo. O estudo analisou os registros de 2024 a 2026, revelando que a praticidade da micromobilidade elétrica esconde riscos severos quando o armazenamento e o carregamento são feitos de forma inadequada.
Os números oficiais comprovam a escalada. Em 2024, o CBMERJ atendeu 30 ocorrências desse tipo. No ano seguinte, o número subiu para 33. Já no primeiro trimestre de 2026, a corporação precisou intervir em 18 casos, indicando uma aceleração. O principal vilão das estatísticas é a micromobilidade elétrica: motocicletas, ciclomotores e autopropelidos elétricos lideram com 36 ocorrências somadas, seguidos de perto pelas bicicletas elétricas, com 25 registros.
Dados Estatísticos do Levantamento (CBMERJ)
O perigo dentro de casa e na madrugada
A pesquisa do CBMERJ desmistifica a ideia de que esses incêndios ocorrem apenas nas ruas ou garagens. A análise revela que 42% das ocorrências aconteceram dentro de residências, com destaque para quartos, salas e cozinhas. O fator em comum? A presença das baterias conectadas às tomadas para carregamento, em locais próximos a materiais altamente combustíveis.
O estudo chama atenção para a chamada "carga de incêndio" presente nesses ambientes internos, que engloba cortinas, sofás, colchões, móveis e revestimentos. Quando uma bateria de lítio entra em combustão perto desses itens, a propagação do fogo é drástica. Além da destruição material, a concentração de calor e a fumaça tóxica gerada pela bateria dificultam a evacuação e aumentam o risco de intoxicação.
Outro dado revelador é o horário dos incidentes. A maior parte das ocorrências se concentra na madrugada, entre meia-noite e 6h, período em que os proprietários costumam deixar os equipamentos carregando de forma prolongada enquanto dormem.
Combate desafiador e o papel da população
A complexidade desses incidentes exige mais do que água para ser resolvida. Segundo o Corpo de Bombeiros, incêndios em baterias de íons de lítio apresentam desafios técnicos severos, como o risco de reignição, dificuldade extrema de resfriamento e emissão de gases tóxicos intensos.
Apesar de 62% dos eventos terem sido controlados inicialmente por populares antes da chegada das viaturas, 38% dos casos demandaram ação direta das guarnições do CBMERJ. Essas intervenções profissionais ocorreram principalmente em cenários críticos, como garagens fechadas, lojas, depósitos e espaços confinados.
Diante da popularização rápida desses veículos, o Secretário de Estado de Defesa Civil e Comandante Geral do Corpo de Bombeiros, Coronel Tarciso Salles, fez um alerta taxativo sobre a prevenção:
"Esses equipamentos fazem parte da rotina de muitas pessoas e trazem praticidade para o dia a dia, mas também exigem atenção redobrada quanto à segurança. O ideal é que o carregamento seja realizado em locais ventilados, longe de materiais inflamáveis e sempre com carregadores certificados e compatíveis com o equipamento. Também orientamos que a população evite deixar esses dispositivos carregando durante toda a noite ou em áreas que possam comprometer rotas de fuga em caso de emergência."
Entenda o Caso: Risco das Baterias de Lítio
| O número de incêndios está aumentando? | Sim. O CBMERJ registrou 30 casos em 2024, 33 em 2025 e 18 apenas no primeiro trimestre de 2026, apontando um crescimento acelerado. |
|---|---|
| Quais aparelhos mais causam esses incêndios? | A micromobilidade elétrica lidera: motocicletas, ciclomotores e autopropelidos somam 36 ocorrências, enquanto as bicicletas elétricas registram 25 casos. |
| Qual é o lugar e a hora mais perigosos para carregar? | 42% dos casos ocorrem em residências (salas, cozinhas e quartos), perto de cortinas e móveis. A maioria dos incidentes acontece na madrugada, entre meia-noite e 6h. |
| Por que o fogo em baterias de lítio é tão perigoso? | Esses incêndios emitem fumaça altamente tóxica, têm extrema dificuldade de resfriamento e apresentam risco de reignição, exigindo técnicas especializadas dos bombeiros. |
| Como prevenir acidentes segundo o CBMERJ? | Carregue em locais ventilados, use carregadores certificados e não deixe o aparelho carregando a noite toda ou bloqueando rotas de fuga. |
Monitoramento e cuidados práticos
Para detalhar as medidas práticas de segurança e orientar a população sobre o manuseio correto no dia a dia, o porta-voz da Corporação, Tenente-Coronel Fábio Contreiras, listou precauções essenciais que vão desde a integridade física do aparelho até a escolha do local de recarga.
O primeiro passo para a prevenção, segundo o oficial, é observar as condições da própria bateria após pequenos acidentes. "Para evitar acidentes com esse tipo de bateria, a gente faz aqui alguns alertas importantes. Se o equipamento cair e danificar a bateria, o ideal é parar de usar o equipamento e descartar imediatamente", orienta o Tenente-Coronel.
Ele também reforça o perigo de deixar os dispositivos sem supervisão, especialmente durante a madrugada. "E como grande parte das ocorrências acontece entre meia-noite e seis horas da manhã, o ideal é nunca carregar o aparelho enquanto você está dormindo ou até mesmo enquanto estiver fora de casa. Nesses casos, o monitoramento é essencial", destaca.
O isolamento do aparelho em relação aos materiais combustíveis da casa, a chamada carga de incêndio, é outro fator crítico para evitar que as chamas se alastrem. "Agora, na hora de carregar, o ideal é apoiar a bateria sempre sobre superfícies de concreto, pisos, pedra ou até mesmo metal e deixar o carregamento sempre longe de tecidos, plástico e de madeira, por exemplo", explicou Contreiras.
A recomendação final da corporação envolve o uso adequado dos acessórios e o tempo de permanência na tomada. O porta-voz é categórico quanto à prevenção de falhas elétricas: "E por último, usar sempre carregadores e cabos originais. Quando completar a carga, o ideal é tirar logo da tomada para evitar um possível superaquecimento por um defeito no aparelho".
Passo a Passo: Como Carregar sua Bateria com Segurança
Atenção a Quedas e Danos
Se o equipamento cair e danificar a bateria, pare de usá-lo e faça o descarte imediatamente.
Monitoramento é Essencial
Nunca carregue o aparelho enquanto estiver dormindo (principalmente de madrugada) ou quando estiver fora de casa.
Escolha a Superfície Certa
Apoie a bateria sempre sobre concreto, piso, pedra ou metal. Mantenha o carregamento longe de tecidos, plásticos e madeira.
Use Equipamentos Originais
Utilize sempre carregadores e cabos originais de fábrica, compatíveis com o seu modelo.
Desconecte Imediatamente
Quando completar a carga, retire logo da tomada para evitar um possível superaquecimento por falhas no aparelho.
Em Caso de Emergência
Se houver qualquer princípio de incêndio, não tente combater sozinho. Ligue para o 193 e acione o Corpo de Bombeiros.
Por fim, o oficial reforça o canal direto de atendimento à população caso o princípio de incêndio saia do controle: "Em casos de emergência, ligue o 193 e conte sempre com o Corpo de Bombeiros do Rio".
*Com informações de CBMERJ