Grãos de café | [Foto: Ilustrativa / LensGO]
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- Recorde histórico: A produção nacional de café deve atingir 66,7 milhões de sacas em 2026, um salto de 18% frente à temporada anterior e o maior volume já registrado.
- Força do arábica: Impulsionada pelo ciclo de bienalidade positiva, a colheita da espécie arábica apresenta um crescimento expressivo de 28%.
- Mercado e exportações: Apesar de uma queda de 22,5% nas exportações no primeiro quadrimestre, a expectativa é de forte recuperação no segundo semestre com a chegada da nova safra.
A cafeicultura brasileira está prestes a quebrar um novo recorde. O 2º Levantamento da Safra de Café 2026, divulgado na última quinta-feira (21/05) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), projeta uma produção de 66,7 milhões de sacas. Caso a estimativa se consolide, o país superará a marca histórica de 2020 (63,08 milhões de sacas) em 5,74%, consolidando o maior volume já registrado na série da estatal.
O desempenho excepcional é reflexo não apenas das condições climáticas favoráveis até março, mas também da expansão de 3,9% na área destinada ao cultivo, que agora totaliza 2,34 milhões de hectares. A produtividade média nacional também acompanha a curva ascendente, com recuperação de 13%, atingindo 34,4 sacas por hectare.
Arábica lidera o crescimento enquanto Conilon se estabiliza
O grande protagonista da temporada 2026 é o café arábica. A estimativa aponta para a produção de 45,8 milhões de sacas, uma alta de 28% sobre o ano passado. O fenômeno é justificado pelos efeitos da bienalidade positiva, característica natural da planta que alterna anos de alta e baixa produção, somada ao aumento da área produtiva e ao regime de chuvas adequado, que garantiu uma excelente granação dos frutos.
Já o café conilon (robusta) apresenta uma estabilidade produtiva. A previsão é de 20,9 milhões de sacas, um leve acréscimo de 0,8%. A queda de 3,5% na produtividade média (53,9 sacas por hectare), causada, em parte, pelas baixas temperaturas e pelo estresse natural das plantas após o alto desempenho em 2025, foi compensada pela ampliação das áreas em produção.
Desempenho nos principais estados produtores
- Minas Gerais: O principal polo cafeeiro do Brasil projeta colher 33,4 milhões de sacas (alta de 29,8%). O estado se beneficiou fortemente do ciclo bienal positivo e da excelente distribuição pluviométrica nos meses anteriores à floração.
- Espírito Santo: Segundo maior produtor nacional, o estado capixaba deve registrar 18 milhões de sacas (+3%). O arábica puxa a alta com salto de 27,9% na produtividade, enquanto o conilon recua 4,2% frente à supercarga da última temporada.
- São Paulo e Bahia: Com lavouras exclusivas de arábica, São Paulo estima um avanço de 24,6% (5,9 milhões de sacas). Na Bahia, a regularidade climática e os novos investimentos em manejo devem garantir 4,7 milhões de sacas (+5,9%).
- Rondônia: Focado no conilon, o estado projeta 2,8 milhões de sacas, uma expressiva elevação de 19,4%. O resultado é fruto da renovação constante do parque cafeeiro com plantas clonais altamente produtivas.
Exportações e cenário global
No cenário mercadológico, os primeiros meses de 2026 foram marcados por uma retração. Entre janeiro e abril, o Brasil exportou 11,5 milhões de sacas, volume 22,5% inferior ao mesmo período do ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Conforme destaca o relatório oficial, “a limitação da produção nos anos anteriores, combinada a uma demanda exportadora aquecida, influenciou a redução dos estoques internos”.
Contudo, o horizonte é otimista. A chegada da nova safra recorde deve reaquecer os embarques no segundo semestre. No mercado internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê que o mundo produzirá 178,8 milhões de sacas (alta de 2%), com o consumo global crescendo 1,3%. Apesar do aumento na oferta, os preços não devem sofrer reduções drásticas, sustentados pelos estoques remanescentes extremamente baixos da temporada anterior.
Funcafé 2026/2027: Governo destina R$ 7,368 bilhões para o setor cafeeiro
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) oficializou, nesta quinta-feira (21/05), a liberação de R$ 7,368 bilhões para o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). O aporte, aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (Resolução nº 5.289), visa garantir o financiamento da cafeicultura brasileira no Ano Safra 2026/2027. O volume de recursos reafirma o compromisso do governo em manter a liquidez e a competitividade do café nacional, um dos principais pilares do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
Como será a distribuição dos recursos do Funcafé
A alocação dos valores foi estrategicamente desenhada para atender aos diferentes elos da cadeia produtiva. A maior fatia, correspondente a 37% do total (R$ 2,713 bilhões), foi direcionada para a linha de Comercialização. Na sequência, o financiamento para a Aquisição de Café recebeu R$ 1,708 bilhão (23%), enquanto as linhas de Custeio e Capital de Giro contam com R$ 1,616 bilhão (22%) e R$ 1,150 bilhão (16%), respectivamente. Para fortalecer a produtividade futura, R$ 180 milhões foram reservados exclusivamente para a Recuperação de Cafezais.
| Linha de Crédito | Valor (Bilhões) | Percentual |
|---|---|---|
| Comercialização | R$ 2,713 | 37% |
| Aquisição de Café | R$ 1,708 | 23% |
| Custeio | R$ 1,616 | 22% |
| Capital de Giro | R$ 1,150 | 16% |
| Recuperação de Cafezais | R$ 0,180 | 2% |
Parceria com a Embrapa Café impulsiona sustentabilidade
Para além do crédito direto aos produtores, o Funcafé atua como um braço de fomento à inovação e qualidade. Parte dos recursos é gerida pelo Consórcio Pesquisa Café, sob coordenação da Embrapa Café, voltando-se para o desenvolvimento de pesquisas, capacitação técnica de produtores e a promoção da marca do café brasileiro. Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, essa estrutura financeira é vital para responder com agilidade a eventuais crises climáticas e para incentivar a adoção de práticas sustentáveis nas lavouras.
Edital para agentes financeiros: Veja como participar
O Mapa também divulgou o edital para o credenciamento de instituições financeiras do Sistema Nacional de Crédito Rural que desejam atuar como agentes do Fundo. O período para o envio de propostas será entre os dias 1º e 15 de junho de 2026. As instituições interessadas devem encaminhar a documentação para o e-mail oficial funcafe-contratos@agro.gov.br. A lista com os agentes habilitados deve ser divulgada entre 23 e 26 de junho, garantindo que o fluxo de crédito chegue aos produtores dentro do cronograma da nova safra.