Pão de Açucar, poto turístico do Rio de Janeiro | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Ilustrativa / Richard Souza / GE]
O Centro Cultural Correios RJ recebe, a partir de 27 de maio, a exposição “Língua de Fogo”, individual da artista Pàulla Scàvazzini com curadoria de Shannon Botelho. A mostra reúne quinze trabalhos, em sua maioria inéditos, e permanece em cartaz até 4 de julho no Rio de Janeiro. A proposta da exposição é aprofundar pesquisas recentes da artista relacionadas ao gesto, à percepção corporal e ao uso da cor, em um conjunto de obras que dialoga com paisagens apocalípticas contemporâneas e experiências sensoriais imersivas.
A exposição surge como desdobramento da mostra “Between Utopias and Abyss”, apresentada anteriormente em Nova York, na Kaliner Gallery. Segundo as informações divulgadas, a nova etapa da pesquisa artística desenvolvida por Scàvazzini passa a considerar os limites espaciais e arquitetônicos do ambiente institucional do Centro Cultural Correios RJ, ampliando investigações já iniciadas no exterior.
A produção da artista explora relações entre pintura, arquitetura e corpo. Em vez de restringir o gesto artístico à superfície bidimensional da tela, as obras avançam sobre paredes e pisos, criando instalações e trabalhos site specific que transformam o espaço expositivo. A proposta é alterar a experiência sensorial do visitante, aproximando a percepção física do espectador da construção visual das obras.
Os trabalhos apresentados em “Língua de Fogo” são marcados por gestualidade intensa e pelo uso de campos cromáticos que articulam luz, composição e atmosferas visuais inspiradas no imaginário botânico tropical. As imagens construídas por Scàvazzini transitam entre paisagem e ruína, abordando referências ligadas ao colapso ambiental e social, ao mesmo tempo em que sugerem processos de transformação e reinvenção.
Outro aspecto presente na mostra é a dimensão sensorial associada aos títulos das obras. As denominações escolhidas pela artista funcionam como micro poesias sinestésicas e evocam sensações relacionadas a cheiro, temperatura e memória. Entre os exemplos citados estão expressões como “vento desértico”, “fogueira de sal”, “precipício, suspiro” e “tudo o que brilha ao norte e derrete em festa ao sul”.
De acordo com o material de divulgação da exposição, a pesquisa de Pàulla Scàvazzini se desenvolve a partir de eixos como a pintura entendida como gesto e performance, a transformação da percepção espacial e sensorial do espectador e a relação entre escalas íntimas e arquitetônicas. Os trabalhos também investigam os limites entre figuração e abstração, utilizando fragmentos de vegetação e elementos orgânicos que se dissolvem em manchas e campos de cor.
A artista comentou o processo de construção das exposições e a relação entre as duas mostras apresentadas em Nova York e no Rio de Janeiro. Segundo Scàvazzini, ambas partem do imaginário botânico tropical e trabalham com paisagens que se desfazem em campos cromáticos.
“As duas exposições partem do imaginário botânico tropical, em que paisagens se desfazem em manchas e campos de cor. Essa dissolução da imagem é também uma recusa em oferecer a paisagem de um mundo em colapso como consolo, como se a arte pudesse restituir ruínas. O que me interessa é uma pintura que permaneça nessa tensão, e que, por isso mesmo, precisa sair da tela para encontrar o corpo. É essa pintura que, a partir do meu corpo em movimento, avança sobre o espaço arquitetônico e convoca um encontro com os outros corpos que entram na sala”, afirmou a artista.
A mostra no Centro Cultural Correios RJ reúne quinze trabalhos e apresenta, em sua maior parte, obras inéditas. Segundo a organização, a exposição amplia as pesquisas de Scàvazzini sobre transformação da percepção do olhar e da presença do espectador diante da obra, aprofundando estudos sobre gesto, cor e paisagens contemporâneas.
A exposição “Língua de Fogo” integra a programação cultural do espaço no centro do Rio de Janeiro e propõe ao público uma experiência baseada em imersão visual, percepção espacial e relações entre corpo, arquitetura e pintura.

O cavalgar do Sol, 2025, Pàulla Scàvazzini