[Foto: Ilustrativa / Google AI]
- Recuo generalizado: O volume de serviços caiu 1,2% em março de 2026, com todas as cinco atividades pesquisadas registrando taxas negativas.
- Resiliência anual: Apesar da queda mensal, o setor acumula alta de 3,0% em comparação a março de 2025 e está 18,2% acima do nível pré-pandemia.
- Turismo e transportes em queda: As atividades turísticas recuaram 4,0% no mês, enquanto o setor de transportes registrou queda de 1,7%, eliminando ganhos anteriores.
O volume de serviços no Brasil apresentou uma retração de 1,2% em março de 2026 na comparação com o mês anterior, conforme dados divulgados pela Pesquisa Mensal de Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ocorre após um período de estabilidade (0,0%) em fevereiro. Com esse desempenho, o setor situa-se agora 1,7% abaixo do pico histórico registrado em outubro de 2025, embora permaneça 18,2% acima do patamar de fevereiro de 2020, período que antecedeu a pandemia de Covid-19.
A queda de março foi disseminada por todos os ramos investigados. O setor de transportes foi o que mais pesou negativamente, com recuo de 1,7%, o que “eliminou o ganho acumulado nos dois primeiros meses do ano (0,8%)”. Outras retrações significativas foram observadas em serviços prestados às famílias (-1,5%), outros serviços (-2,0%), serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%) e informação e comunicação (-0,9%).
O cenário regional: altos e baixos pelo Brasil
Apesar do recuo nacional de 1,2% no volume de serviços em março de 2026, a retração na série ajustada sazonalmente atingiu a menor parte das unidades da federação, afetando 13 dos 27 estados. O impacto negativo mais expressivo veio de São Paulo, que registrou queda de 2,1%, acompanhado por reduções significativas em Mato Grosso do Sul (-6,0%), Mato Grosso (-5,2%) e Pernambuco (-3,9%). Em contrapartida, o Distrito Federal saltou 10,3% e o Rio de Janeiro avançou 1,8%, liderando as contribuições positivas do mês. Outros estados que operaram no azul incluíram Santa Catarina (2,7%), Alagoas (2,5%), Rio Grande do Norte (2,1%) e Paraná (0,3%).
No confronto com março de 2025, o cenário se inverte e reflete a expansão nacional de 3,0%, um movimento que foi acompanhado por 14 das 27 unidades da federação. Nesse recorte, São Paulo assumiu o protagonismo positivo com alta de 4,0%, seguido de perto pelo Distrito Federal, que disparou 16,2%, e pelo Rio de Janeiro (5,2%). Rio Grande do Sul (3,5%) e Santa Catarina (3,4%) também puxaram a fila do crescimento. Na direção oposta, a Bahia liderou as perdas do período com retração de 2,9%, seguida por Amazonas (-3,9%), Ceará (-3,3%), Mato Grosso (-2,1%) e Goiás (-2,0%).
Avaliando o acumulado do primeiro trimestre de 2026 frente a igual período do ano anterior, o avanço nacional de 2,3% foi sustentado de forma disseminada, com 15 das 27 unidades da federação registrando expansão na receita real. O grande motor dessa alta foi novamente São Paulo, com crescimento de 4,4%, ladeado por Distrito Federal (11,2%), Mato Grosso (10,8%), Rondônia (7,7%) e Santa Catarina (0,5%). Por outro lado, Minas Gerais amargou a influência negativa mais relevante sobre o índice nacional com queda de 1,6%, acompanhado pelas retrações no Ceará (-4,7%), Paraná (-1,0%) e Rio de Janeiro (-0,3%).
Turismo e Transportes sob Pressão
O índice de atividades turísticas enfrentou um mês difícil, com queda de 4,0% em março, o segundo resultado negativo seguido. No trimestre, o setor turístico acumula perda de 5,4%, operando 6,3% abaixo do seu auge alcançado em dezembro de 2024. A maior influência negativa veio novamente de São Paulo (-6,3%), pressionada pela menor receita em transporte aéreo de passageiros e hotéis.
No segmento de transportes, o volume de passageiros recuou 3,4%, enquanto o transporte de cargas teve retração de 1,0%. Apesar disso, o transporte de cargas permanece em um patamar sólido, 37,1% acima do nível pré-pandemia.
Retração generalizada em março e análise trimestral
A queda de 1,2% no volume de serviços na passagem de fevereiro para março de 2026 não foi um fato isolado, mas sim um movimento disseminado que atingiu todas as cinco atividades investigadas pelo IBGE. O maior peso negativo recaiu sobre o setor de transportes, que encolheu 1,7% e, com isso, eliminou totalmente o ganho de 0,8% que havia sido acumulado nos dois primeiros meses do ano.
O cenário de perdas também se estendeu aos demais ramos. Os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 1,1%, acumulando uma perda de 2,3% no último quadrimestre. O segmento de informação e comunicação caiu 0,9%, devolvendo parte da alta de 2,8% registrada nos três meses anteriores. Já os “outros serviços” encolheram 2,0%, somando 2,4% de retração nos últimos dois meses, enquanto os serviços prestados às famílias caíram 1,5%, anulando a expansão de 1,1% vista em fevereiro.
Essa perda de fôlego recente reflete diretamente no índice de média móvel trimestral (série com ajuste sazonal). No trimestre encerrado em março de 2026, o indicador geral apontou variação negativa de 0,4% frente ao trimestre imediatamente anterior. Nesse recorte, três atividades puxaram a média para baixo: serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,7%), transportes (-0,3%) e serviços prestados às famílias (-0,3%). Na contramão, operando no azul e amenizando a queda, ficaram os outros serviços (0,3%) e a área de informação e comunicação (0,2%).
O contraste anual: avanço e principais motores de crescimento
Se o cenário mensal apresentou desafios, a comparação anual traz um horizonte muito mais favorável. Em relação a março de 2025, o volume do setor de serviços cresceu 3,0%, marcando o seu 24º resultado positivo consecutivo. Essa expansão foi robusta e englobou quatro das cinco grandes atividades, registrando aumento de receita em 51,8% dos 166 tipos de serviços investigados.
O grande motor desse avanço anual foi o setor de informação e comunicação, que registrou um salto expressivo de 7,9%. Esse desempenho foi fortemente impulsionado pelo aumento da receita em áreas-chave como telecomunicações, consultoria em tecnologia da informação, televisão aberta e serviços atrelados à internet, incluindo portais, tratamento de dados, provedores de aplicação e hospedagem.
Outros três setores também contribuíram para manter o saldo anual positivo:
- Transportes (2,0%): Alavancados pelo transporte rodoviário (tanto de cargas quanto coletivo de passageiros), navegação de apoio marítimo e portuário, e concessionárias de rodovias.
- Serviços profissionais, administrativos e complementares (1,1%): Sustentados pela força da intermediação de negócios via aplicativos e e-commerce, além de atividades jurídicas, vigilância e segurança privada, limpeza predial e serviços de engenharia.
- Outros serviços (2,7%): Impulsionados pelo bom desempenho de corretoras de títulos e valores mobiliários, administração de bolsas e mercados de balcão organizados, e atividades auxiliares de seguros, previdência e planos de saúde.
O único impacto negativo na comparação com março do ano anterior veio dos serviços prestados às famílias, que amargaram uma queda de 1,6%. O principal responsável por puxar esse índice para baixo foi o setor hoteleiro, que sofreu com uma menor entrada de receitas no período.
Turismo e Transportes amargam retração em março, mas mantêm saldo positivo no trimestre
O segmento de atividades turísticas enfrentou um mês desafiador em março de 2026, registrando uma retração de 4,0% frente a fevereiro. Este é o segundo resultado negativo consecutivo do setor, que já acumula uma perda de 5,4% no período. Com esse desempenho, o turismo opera 6,3% abaixo do seu ápice histórico (alcançado em dezembro de 2024), embora ainda se mantenha 6,5% acima do patamar pré-pandemia de fevereiro de 2020. A queda mensal foi sentida em 14 dos 17 locais pesquisados, com os maiores impactos negativos vindos de São Paulo (-6,3%), Pernambuco (-9,2%), Bahia (-5,3%), Minas Gerais (-2,8%) e Rio de Janeiro (-2,4%). Na contramão, o Rio Grande do Sul (1,4%), o Rio Grande do Norte (1,3%) e Goiás (0,4%) conseguiram registrar ganhos.
Na comparação anual (março de 2026 contra março de 2025), o turismo apresentou recuo de 3,9%, interrompendo uma sequência de dois meses de taxas positivas. Essa baixa foi fortemente pressionada pela queda na receita das empresas de transporte aéreo de passageiros, hotéis e locação de automóveis. Apesar desse tropeço mensal e anual, o acumulado do primeiro trimestre de 2026 ainda sustenta uma leve expansão de 0,9% frente ao mesmo período do ano anterior. Esse respiro trimestral foi impulsionado pelos serviços de catering, bufê, comida preparada, restaurantes e reservas de hospedagens. No trimestre, Rio de Janeiro (8,4%) e São Paulo (1,6%) lideraram os ganhos regionais.
O setor logístico e de mobilidade também sentiu o freio em março. O volume de transporte de passageiros recuou 3,4% na passagem de fevereiro para março de 2026 (série livre de influências sazonais), acumulando uma perda de 4,3% em dois meses de queda. O segmento encontra-se 1,7% acima do nível pré-pandemia, mas ainda distante do seu auge: está 22,1% abaixo do ponto mais alto da série histórica (fevereiro de 2014).
Já o transporte de cargas, termômetro importante da economia, apontou retração de 1,0% em março, devolvendo o crescimento de 0,8% visto no mês anterior. Apesar do recuo pontual e de estar 5,1% abaixo do seu pico histórico (julho de 2023), o transporte de cargas exibe uma força invejável no longo prazo, operando expressivos 37,1% acima do patamar de fevereiro de 2020. Olhando para a comparação anual sem ajuste sazonal, o cenário é de recuperação: em relação a março de 2025, o transporte de passageiros cresceu 2,8% e o de cargas avançou 2,5%, garantindo que ambos fechassem o primeiro trimestre de 2026 no azul, com expansões de 2,3% e 1,4%, respectivamente.
*Com informações de IBGE