Foto: Arquivo / Richard Souza / AN
- Inovação no resgate: O CBMERJ lança um Cartão de Comunicação Visual bilíngue para facilitar o socorro a pessoas surdas ou com dificuldades de fala.
- Capacitação em libras: A corporação estabeleceu a meta de treinar mais de 500 militares em Língua Brasileira de Sinais até o final de 2026.
- Agilidade visual: Através de ícones e uma escala de dor ilustrada, socorristas conseguem identificar sintomas e condições de saúde em segundos.
O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) está consolidando um novo padrão de modernização e humanização no atendimento pré-hospitalar. Em uma iniciativa voltada para a inclusão, a corporação anunciou a ampliação da acessibilidade em suas operações com a introdução do Cartão de Comunicação Visual e a intensificação do treinamento em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para seus socorristas. O objetivo é garantir que a barreira da comunicação não seja um obstáculo para salvar vidas.
O novo recurso, que já está em fase de distribuição para todas as viaturas operacionais e postos de salvamento do estado, funciona como uma ferramenta prática e bilíngue. Por meio de ícones ilustrativos acompanhados de termos em português e inglês, o cartão visa permitir uma interação rápida entre o militar e a vítima em cenários onde o tempo é um fator crítico.
Para o Secretário de Estado de Defesa Civil e Comandante-Geral do CBMERJ, Coronel Tarciso, essa integração é fundamental para a evolução do serviço prestado à sociedade. Segundo o comandante, “ao integrar Libras à formação dos militares e disponibilizar ferramentas de apoio à comunicação, a corporação amplia sua capacidade de resposta e garante um atendimento mais digno, eficiente e acessível para toda a população”.
Como funciona o Cartão de Comunicação Visual
O material foi projetado para ser intuitivo e abrangente. Dividido por eixos temáticos, ele permite que o socorrista obtenha dados essenciais para o prontuário, como nome, idade, telefone e endereço, além de transmitir frases de acolhimento imediato como “estou aqui para ajudar” e orientações de segurança como “aguarde aqui”.
A ferramenta vai além da identificação básica, permitindo que a vítima aponte condições clínicas complexas. Por meio dos símbolos, o paciente pode indicar se é diabético, se possui alergias graves, se está grávida ou se faz uso de medicação controlada. Há também espaços para sinalizar situações de risco, como o uso de cinto de segurança em acidentes ou se a vítima sofreu algum tipo de agressão.
Funcionalidades do Novo Cartão Visual
Dados Essenciais
Coleta rápida de nome, idade, telefone e endereço para o prontuário.
IdentificaçãoAcolhimento
Frases de suporte como “estou aqui para ajudar” e “aguarde aqui”.
Segurança EmocionalSaúde e Riscos
Sinalização de diabetes, alergias, gravidez e uso de medicação.
Triagem ClínicaSegurança Viária
Identificação do uso de cinto de segurança no momento do impacto.
Dinâmica do TraumaSituações de Violência
Espaço dedicado para a vítima indicar se foi alvo de agressão física.
Alerta de RiscoA 1° Sargento Marta Cristiane, instrutora de LIBRAS da corporação, ressalta a importância da clareza visual que o dispositivo oferece: “O novo cartão que o Corpo de Bombeiros lançou, ele agora, ele é muito importante para a comunicação, para a visualização da pessoa da comunidade suda, também para as pessoas que têm dificuldade na fala. Ele mostra as imagens, exemplo, a escala de dor. Ele aponta sentindo dor, ou se ele foi agredido com faca, ou com revólver, ele mostra exatamente o desenho certo. E é importante a comunicação e a acessibilidade”.
Identificação de sintomas e escala de dor
Um dos maiores desafios no atendimento pré-hospitalar a pessoas com dificuldades de fala é a precisão no diagnóstico dos sintomas. O cartão do CBMERJ soluciona essa lacuna ao listar graficamente condições como dor no peito, falta de ar, tontura, febre e convulsão. Para quantificar o sofrimento da vítima, o material inclui uma escala visual de dor de 0 a 10, associada a expressões faciais que facilitam a compreensão universal do desconforto.
Segundo o CBMERJ, essa metodologia acompanha tendências internacionais de resgate, sendo especialmente útil não apenas para pessoas surdas, mas para estrangeiros com barreiras linguísticas ou vítimas em estado de choque que perderam temporariamente a capacidade de comunicação verbal.
Treinamento contínuo e metas para 2026
A adoção do cartão é o braço operacional de um projeto maior que envolve a educação da tropa. O Tenente-Coronel Euler Lucena, Chefe do Gabinete de Gestão de Projetos do Estado-Maior Geral, explica que a premissa de um atendimento inclusivo vem sendo construída com rigor técnico.
“Desde o ano passado, alinhado com uma premissa do nosso comando geral, o Corpo de Bombeiros tem buscado um atendimento cada vez mais inclusivo e humanizado. Nesse sentido, com um foco mais especificamente nas pessoas que têm dificuldade de comunicação, em especial a população surda, o Corpo de Bombeiros começou a fazer uma capacitação básica em libras para a nossa tropa”, explica Lucena.
O oficial destaca ainda que o treinamento não é pontual, mas uma política de formação contínua. “É um treinamento contínuo que espera-se que até o final de 2026 tenhamos mais de 500 militares capacitados nesse básico de libras”, projeta o Tenente-Coronel.
*Com informações de CBMERJ