Sede da PF no RJ | Foto: Richard Souza / GE
[Foto: Richard Souza / GE]
- Prisão na educação: O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso nesta terça-feira (5/5) pela PF durante a 4ª fase da Operação Unha e Carne, que mira fraudes e direcionamento de obras em escolas da Secretaria de Educação do RJ.
- Ação do STF: Foram cumpridos 30 mandados (7 de prisão e 23 de busca e apreensão) expedidos pelo STF. Um dia antes da operação, a filha do deputado, Thamires Rangel, teve sua exoneração publicada no Diário Oficial para reassumir seu mandato como vereadora em Campos dos Goytacazes.
- Histórico e Defesa: Alvo em 2024 da Operação Postos de Midas por lavagem de dinheiro e salto patrimonial, o deputado voltou à mira da PF. Em nota, a defesa afirmou ter recebido a ação “com surpresa” e “nega a prática de quaisquer ilicitos”.
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (05/05) a quarta fase da Operação Unha e Carne, resultando na prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante). A ofensiva tem como objetivo desarticular uma suposta organização criminosa acusada de aplicar fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços, especificamente obras para reformas, no âmbito da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro.
Ao todo, agentes federais estão nas ruas para cumprir 7 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os alvos estão localizados na capital fluminense e nas cidades de Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.
Segundo as apurações, o esquema consistia no direcionamento ilícito das contratações realizadas por escolas estaduais. As obras e serviços eram entregues a empresas previamente selecionadas, todas com vínculos à organização criminosa investigada. Os envolvidos poderão responder por organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.
A ação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para cumprir o Acórdão da ADPF 635. O foco da força-tarefa é reprimir grupos criminosos no estado do Rio de Janeiro por meio da asfixia financeira e da ruptura de suas conexões com agentes públicos.
Repercussão imediata: filha do deputado
Thiago Rangel é pai de Thamires Rangel (PMB), eleita vereadora em 2024. Aos 18 anos, ela foi a parlamentar mais jovem do país naquele pleito.
No mesmo ano, Thamires chegou a ser nomeada subsecretária adjunta de Ambiente e Sustentabilidade no governo estadual. Contudo, na semana passada, a vereadora reassumiu a cadeira no lesgislativo de Campos do Goytacazes. A exoneração da jovem foi publicada no Diário Oficial do estado, nesta segunda-feira (04/05).
Em um comunicado em vídeo divulgado logo após deixar o cargo no governo estadual na semana passada, Thamires Rangel fez um balanço de sua gestão e evitou polêmicas, focando nas entregas realizadas. “Em outubro do ano passado, eu recebi com muita honra e responsabilidade o convite para assumir a Subsecretaria do Estado de Ambiente e Sustentabilidade. Eu trabalhei com muita dedicação para trazer resultados concretos para a nossa região, principalmente para o Norte e Noroeste, que são regiões que precisam de atenção e principalmente ação”, afirmou.
Ao elencar seu legado na pasta, a filha do deputado listou intervenções específicas de infraestrutura e sustentabilidade. Ela citou “diversas conquistas importantes”, com destaque para as obras em Campos dos Goytacazes, como a Ponte do Gote no Canal das Flechas, o Canal Campos Macaé e o Parque Esplanada. A vereadora também mencionou ações do Programa Lampa Rio e intervenções às margens da BR-356, ressaltando que buscou sempre “aprendizado, soluções e o diálogo, sempre em prol da nossa população”.
Sobre seu futuro político fora do Executivo estadual, Thamires confirmou a retomada de seu mandato no legislativo municipal. “Agora retorno à Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, com ainda mais experiência e dedicação. Sigo firme no meu propósito de honrar cada voto de confiança, sendo a única mulher eleita pelo povo campista”, declarou, concluindo que mantém o “compromisso de honrar o nosso povo e a nossa gente”.
O passado do deputado e a Operação Postos de Midas
Empresário do ramo varejista, Thiago Rangel Lima, 37 anos, iniciou sua vida pública cedo, passando pelo IPEM-RJ e DETRO-RJ. Elegeu-se vereador de Campos dos Goytacazes em 2020 e, em 2022, chegou à Alerj com 31.175 votos.
No entanto, esta não é a primeira vez que o parlamentar entra na mira das autoridades. Em 14 de outubro de 2024, ele foi alvo da Operação Postos de Midas, deflagrada pela PF em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Estadual. O inquérito, que cumpriu 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Órgão Especial do TJ-RJ, investigava lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e corrupção.
As investigações da época revelaram que a ação funcionava desde 2021, utilizando contratações diretas via dispensa fraudulenta de licitação. Segundo a PF, o dinheiro desviado era “branqueado” através de uma extensa rede de postos de combustíveis. A apuração teve início após a prisão em flagrante de um operador do grupo por corrupção eleitoral em setembro de 2022.
A operação foi batizada de “Postos de Midas” devido ao impressionante crescimento patrimonial de Rangel:
- 2020 (Candidato a vereador): Declarou R$ 224.000,00 (dois carros, jet ski e participação de 60 mil em um posto).
- 2022 (Candidato a deputado): Patrimônio saltou para R$ 1.972.000,00.
- Em 2024: É apontado como dono de uma rede com 18 postos de combustíveis e 12 empresas identificadas na investigação.
Na ocasião, o deputado também negou qualquer irregularidade.
O que diz a defesa
Em relação à prisão desta terça-feira, a assessoria jurídica do deputado estadual divulgou um comunicado oficial reafirmando sua inocência e pedindo cautela. Leia a nota na íntegra:
“A defesa do deputado Thiago Rangel recebeu com surpresa a notícia da operação realizada na data de hoje. Neste momento, está se inteirando dos fatos, do teor da investigação e das medidas eventualmente determinadas, reafirmando desde logo a plena confiança nas instituições e no devido processo legal. O deputado nega a prática de quaisquer ilicitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigaão, local próprio para a apuração dos fatos. A defesa ressalta, por fim, que qualquer conclusão antecipada, é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentam a medida.”
Tire suas Dúvidas: Prisão de Thiago Rangel e Operação Unha e Carne
Ele foi preso na 4ª fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal, suspeito de integrar uma organização criminosa que fraudava e direcionava contratos de compras e reformas em escolas da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro.
Thamires Rangel, filha do deputado, foi exonerada nesta terça-feira pelo governador Ricardo Couto do cargo de subsecretária adjunta de Ambiente e Sustentabilidade no governo estadual do RJ.
Os alvos dos 30 mandados expedidos pelo STF podem responder pelos crimes de organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.
Deflagrada em outubro de 2024, apurou lavagem de dinheiro via postos de gasolina. A investigação revelou o crescimento do patrimônio de Thiago Rangel, que saltou de R$ 224 mil em 2020 para quase R$ 2 milhões em 2022, contando hoje com 18 postos de combustíveis.
A defesa afirmou ter recebido a notícia “com surpresa”. Em nota oficial, declarou que o parlamentar “nega a prática de quaisquer ilicitos”, confia nas instituições e prestará esclarecimentos, ressaltando que conclusões antecipadas são indevidas.
*Com informações de PF