[Foto: Richard Souza / AEF]
- Circulação precoce: O vírus da gripe chegou antes do inverno, somando 5,5 mil casos de SRAG e 352 óbitos até meados de abril.
- Proteção materna: Gestantes a partir da 28ª semana agora contam com vacina específica contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) para proteger bebês.
- Efetividade comprovada: Dados da OPAS indicam que a vacinação reduz em até 75% as hospitalizações em crianças.
O cenário epidemiológico brasileiro em 2026 apresenta um desafio adicional para a saúde pública: “A circulação da influenza começou mais cedo neste ano”. O fenômeno, registrado antes mesmo do início oficial do inverno, período de maior transmissão, levou o governo federal a reforçar a urgência da imunização, especialmente para crianças, gestantes e idosos.
Até o dia 18 de abril de 2026, os dados oficiais revelam que o país já registrou 5,5 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) decorrentes da influenza, resultando em 352 mortes. Apesar dos números, há um prognóstico moderado: a expectativa é que o pico de contágio deste ano permaneça abaixo do patamar observado no mesmo período de 2025.
Cenário regional: Desaceleração e alerta
Embora 17 estados brasileiros ainda apresentem tendência de aumento nos diagnósticos, o país começa a observar sinais de estabilização em áreas específicas. Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Tocantins e o Distrito Federal já registram queda ou interrupção no crescimento de novos casos, o que sinaliza uma possível desaceleração da circulação viral nessas localidades.
Campanha nacional e estratégia de alcance
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, iniciada em 28 de março, abrange as regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, com encerramento previsto para 30 de maio. Já a Região Norte seguirá um cronograma diferenciado, com vacinação no segundo semestre, respeitando a sazonalidade local.
Até o momento, mais de 17 milhões de doses foram distribuídas, com 11,6 milhões já aplicadas. O Ministério da Saúde ressalta que a atualização anual é vital, pois “o vírus sofre mutações frequentes e novas cepas passam a circular a cada temporada”. Além disso, a vacina contra a gripe pode ser administrada simultaneamente a outros imunizantes do Calendário Nacional, incluindo o de Covid-19.
Para garantir que a informação chegue à população, o Governo Federal adotou o envio de mensagens institucionais por aplicativos de comunicação, visando ampliar a confiança nos canais oficiais e incentivar a adesão.
Proteção contra a bronquiolite e VSR
Uma das grandes novidades na estratégia de prevenção deste ano é o foco no Vírus Sincicial Respiratório (VSR), apontado pelo Ministério da Saúde como principal causa da bronquiolite em bebês. Para garantir a proteção dos recém-nascidos nos primeiros meses de vida, o SUS disponibiliza a vacinação para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez.
Complementando a estratégia, o Ministério da Saúde incorporou o nirsevimabe ao SUS. Diferente das vacinas comuns, este é um anticorpo monoclonal de ação imediata. Ele é indicado para recém-nascidos prematuros e crianças de até 23 meses com condições de saúde específicas, como cardiopatias congênitas, síndrome de Down ou fibrose cística. “O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal que atua imediatamente após a aplicação, sem necessidade de estimular resposta imunológica ao longo do tempo”, reforçando a rede de proteção contra casos graves.
Eficácia das vacinas
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a imunização atual é uma ferramenta robusta de saúde coletiva. A efetividade na redução de hospitalizações varia de 30% a 40% entre adultos, alcançando expressivos 75% de eficácia na proteção de crianças contra complicações graves.
*Com informações de Ministério da Saúde