[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
- Mobilização nacional: CBO e SBG lançam ação “24 Dias de Cuidado” para combater a maior causa de cegueira irreversível no mundo.
- Desigualdade no acesso: Exames pelo SUS cresceram 65% entre 2019 e 2025, mas Sudeste avança mais que o Nordeste.
- Prevenção urgente: Sem sintomas nas fases iniciais, diagnóstico precoce é a única forma de evitar a perda visual definitiva.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) iniciaram, na segunda-feira (04/05), a campanha “24 Horas pelo Glaucoma – 24 Dias de Cuidado”. A iniciativa visa mobilizar o Brasil durante todo o mês de maio para o enfrentamento da doença que é, atualmente, a principal causa de cegueira irreversível no planeta.
Estimativas apontam que cerca de 1,7 milhão de brasileiros convivem com a patologia. O grande desafio reside na natureza silenciosa da doença: nas fases iniciais, não há sintomas, e a perda visual só é percebida quando o comprometimento da visão já é severo. Como o dano é permanente, o CBO reforça que o diagnóstico tardio é um dos maiores obstáculos para a saúde ocular no país.
Disparidades no Sistema Único de Saúde (SUS)
Dados levantados entre janeiro de 2019 e dezembro de 2025 mostram um avanço significativo na rede pública: mais de 12 milhões de exames específicos para glaucoma foram realizados via SUS. No período, o volume total de procedimentos saltou de 1.377.397 para 2.269.919, representando um crescimento de 65%.
Entretanto, o acesso não evoluiu de forma equilibrada pelo território nacional. De acordo com a avaliação do CBO, “embora o volume de procedimentos tenha aumentado ao longo dos anos, a distribuição desse crescimento entre as regiões do país revela disparidades no acesso a esses serviços”. Enquanto a região Sudeste registrou um aumento de 115% na realização de exames, o Nordeste teve o menor índice de crescimento, com apenas 36%.
Fatores de risco e tratamento
Segundo informações do programa, lançado nesta segunda, o glaucoma é caracterizado por danos progressivos ao nervo óptico, geralmente causados pelo aumento da pressão intraocular devido à drenagem incorreta do humor aquoso. Entre os principais grupos de risco estão:
- Pessoas acima de 40 anos (com risco acentuado após os 60);
- Indivíduos com histórico familiar da doença;
- Pessoas negras e asiáticas, que possuem maior predisposição genética;
- Pacientes com alta miopia, diabetes ou hipertensão.
O tratamento, disponível integralmente pelo SUS, foca na redução da pressão ocular através de colírios, procedimentos a laser (como o SLT) ou intervenções cirúrgicas.
Conteúdo educativo e mobilização
A campanha “24 Dias de Cuidado” contará com uma vasta programação digital, incluindo podcasts voltados para médicos, gestores e a população. O conteúdo abordará desde o uso correto de colírios até o combate à desinformação, com o apoio de celebridades e especialistas em plataformas como YouTube, Spotify e redes sociais.
Guia Rápido: O que você precisa saber
1. O que é o glaucoma?
É uma doença que danifica o nervo óptico, interrompendo a conexão visual entre o olho e o cérebro, geralmente causada pelo aumento da pressão interna do olho.
2. Quais são os principais sintomas?
Na maioria dos casos (ângulo aberto), não há sintomas iniciais. No glaucoma de ângulo fechado, pode haver dor intensa e náuseas, sendo uma emergência médica.
3. A visão perdida pode ser recuperada?
Não. A perda visual causada pelo glaucoma é irreversível. O tratamento serve para estacionar a doença e preservar a visão restante.
4. Quem deve fazer o exame preventivo?
Principalmente pessoas acima de 40 anos, negros, asiáticos ou quem possui parentes de primeiro grau com a doença.
*Com informações de CBO e SBG