O caso da morte de Ana Luiza Mateus Souza, de 29 anos, candidata ao concurso Miss Cosmo Bahia, ganhou um desdobramento drástico nesta quarta-feira (22). O principal suspeito do crime, que havia sido preso em flagrante pelo feminicídio da jovem na Barra da Tijuca, foi encontrado morto dentro de sua cela na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
De acordo com a nota oficial emitida pela DHC, “as primeiras informações apontam que ele tirou a própria vida por meio de asfixia, utilizando tecido da roupa”. O incidente ocorreu pouco tempo após a sua detenção, enquanto as investigações sobre a queda da modelo ainda estavam em estágio inicial.
Fraude na identificação e perícia técnica
Além do óbito na unidade prisional, a Polícia Civil revelou uma importante descoberta sobre a identidade do agressor. Durante o curso das investigações, os agentes constataram que o indivíduo não estava utilizando seu nome real.
Segundo a corporação, foi verificado que o suspeito “utilizava documento de identificação em nome do irmão”. Essa informação foi submetida a uma perícia técnica, que confirmou a fraude ideológica. A PCERJ afirmou que segue adotando todas as medidas para o completo esclarecimento tanto do feminicídio quanto das circunstâncias da morte do custodiado.
Relembre o crime na Barra da Tijuca
O feminicídio que chocou a Zona Sudoeste do Rio de Janeiro aconteceu na manhã desta quarta-feira (22), na Avenida Lúcio Costa. Ana Luiza Mateus morreu após despencar do 13º andar de um edifício de luxo.
Relatos de vizinhos e testemunhas indicam que o clima no apartamento era de extrema hostilidade. Segundo a Polícia Militar, o comando do 31º BPM (Recreio) foi acionado “para uma ocorrência de feminicídio, na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, na manhã desta quarta-feira (22/04)”.
Testemunhas informaram aos policiais que “um casal estava brigando em um dos apartamentos desde a noite de terça-feira (21/04). Por volta das 5h foi ouvido o barulho”. O corpo da modelo foi encontrado na área comum do condomínio por volta das 5h30. O namorado da vítima foi preso imediatamente no local pelos agentes militares e conduzido à especializada.
A DHC segue com diligências em andamento para apurar todos os detalhes que cercam a morte de Ana Luiza e o subsequente falecimento do suspeito sob custódia do Estado.
Repercussão e revolta nas redes sociais
A morte de Ana Luiza gerou forte comoção e indignação na internet. Nos perfis da jovem nas redes sociais, amigos e seguidores lamentaram a perda precoce e expressaram revolta diante da suspeita de crime de gênero. Entre as mensagens de luto, internautas refletiram sobre a violência: “Meu Deus até quando o homem vai achar que a mulher é uma propriedade “. O histórico de conflito na noite do crime também repercutiu nos comentários, com um usuário apontando que “foi agora e foi o namorado dela, eles passaram a madrugada brigando.”
A interrupção brutal dos sonhos da modelo foi lamentada em dezenas de homenagens. “Que baiana linda meu Deus. Realizando o sonho dela. Ceifaram a vida dela tão cedo. Tão cheia de vida. Tanta coisa pra viver”, publicou um seguidor. A indignação deu o tom de grande parte das mensagens, com declarações como: “me dá muita raiva saber que um ser humano é capaz de fazer isso com uma mulher”. Orações também foram direcionadas à família: “Que Deus abençoa sua mãe Ana, e todos os seus familiares. Que o senhor Jesus te receba de braços abertos minha princesa.”
Luto e manifesto no universo Miss
A organização do concurso no qual a jovem estava inscrita também se pronunciou oficialmente, ressaltando o impacto da perda. Em nota assinada pelo CEO Fabrício Granito, a instituição informou que a modelo representaria o estado no Miss Cosmo Brasil 2026. “A organização Miss Cosmo Brasil manifesta profundo pesar pela morte de Ana Luiza Mateus. […] Ana Luiza era uma jovem em ascensão que construía com esforço e talento sua trajetória no universo Miss”, declarou a entidade.
Além de expressar “tristeza e consternação” e se solidarizar com a família, a organização fez um forte alerta sobre a violência contra a mulher no país. “Diante das informações sobre o ocorrido, o caso convoca a uma reflexão urgente sobre a violência contra a mulher no Brasil. O feminicídio não pode ser tratado como estatística ou rotina. É uma realidade que precisa ser enfrentada com seriedade, compromisso e ação coletiva”, destacou o comunicado, que finalizou afirmando que “Ana Luiza não será esquecida”.
Dúvidas Rápidas: O Caso Ana Luiza Mateus
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*Com informações de PCERJ