Compras em um supermercado | Imagem: Ilustrativa / Google AI
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A sobrevivência básica do trabalhador brasileiro sofreu uma forte pressão inflacionária em março de 2026. Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o custo dos itens essenciais subiu em quase todo o território nacional. Para uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário deveria ter sido de R$ 7.425,99, um salto em relação aos R$ 7.164,94 de fevereiro.
Este montante representa 4,58 vezes o piso nacional de R$ 1.621,00. O impacto é sentido diretamente no tempo de vida dedicado ao trabalho: em média, foram necessárias 97 horas e 55 minutos de jornada apenas para adquirir a cesta, contra as 93 horas registradas no mês anterior.
Ranking completo: O custo da cesta nas capitais
São Paulo mantém o posto de cidade com o custo de vida alimentar mais alto, seguida de perto pelo Rio de Janeiro. No Nordeste, Aracaju, embora tenha o menor valor nominal, enfrenta a maior inflação acumulada do ano (10,93%).
Custo da Cesta Básica nas Capitais
| Pos. | Capital | Valor (R$) | Var. Mensal | Trabalho (Horas) |
|---|---|---|---|---|
| 1º | São Paulo | 883,94 | +3,64% | 119h 58m |
| 2º | Rio de Janeiro | 867,97 | +4,96% | 117h 48m |
| 3º | Cuiabá | 838,40 | +5,62% | 113h 47m |
| 4º | Florianópolis | 824,35 | +3,36% | 111h 53m |
| 5º | Campo Grande | 805,93 | +3,29% | 109h 23m |
| 6º | Porto Alegre | 799,79 | +1,65% | 108h 33m |
| 7º | Vitória | 790,19 | +4,50% | 107h 14m |
| 8º | Belo Horizonte | 784,32 | +6,44% | 106h 27m |
| 9º | Curitiba | 769,61 | +3,23% | 104h 27m |
| 10º | Goiânia | 760,44 | +3,98% | 103h 13m |
| 11º | Brasília | 746,41 | +4,82% | 101h 18m |
| 12º | Fortaleza | 727,90 | +5,04% | 98h 47m |
| 13º | Palmas | 717,45 | +3,19% | 97h 22m |
| 14º | Belém | 700,68 | +3,94% | 95h 06m |
| 15º | Boa Vista | 680,01 | +3,16% | 92h 17m |
| 16º | Manaus | 675,56 | +7,42% | 91h 41m |
| 17º | Macapá | 672,06 | +1,71% | 91h 13m |
| 18º | Teresina | 668,78 | +3,10% | 90h 46m |
| 19º | Salvador | 662,14 | +7,15% | 89h 52m |
| 20º | Recife | 654,62 | +6,97% | 88h 50m |
| 21º | Natal | 653,77 | +5,99% | 88h 44m |
| 22º | João Pessoa | 652,95 | +5,53% | 88h 37m |
| 23º | Maceió | 644,77 | +6,76% | 87h 31m |
| 24º | Rio Branco | 641,15 | +1,48% | 87h 01m |
| 25º | São Luís | 634,26 | +0,67% | 86h 05m |
| 26º | Porto Velho | 623,42 | +3,61% | 84h 37m |
| 27º | Aracaju | 598,45 | +6,32% | 81h 13m |
Fonte: DIEESE / Conab (Dados oficiais de Março/2026).
Por que a comida subiu? A análise dos produtos
De acordo com o levantamento, fatores climáticos e de mercado foram decisivos para a escalada dos preços em março:
- Tomate: O maior vilão do mês registrou elevação em todas as cidades. Maceió teve a maior alta (46,92%), seguida de Aracaju (46,51%) e Recife (46,31%). A causa central foi a “menor oferta e perda de parte da colheita, por causa das chuvas”.
- Batata: Aumentou em todas as cidades do Centro-Sul. As elevações chegaram a 22,24% em Vitória. O relatório aponta que as “chuvas atrapalharam a colheita e reduziram a oferta do tubérculo”.
- Feijão: Subida generalizada em todas as capitais. O grão carioca disparou em Belém (21,48%). Segundo a pesquisa, a alta ocorreu devido à “restrição de oferta, por dificuldades na colheita, redução de área na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra”.
- Carne Bovina de Primeira: Alta em 23 capitais. Fatores como a “demanda aquecida por carne, a alta das exportações e menor número de bezerros para reposição” elevaram os valores no varejo.
- Leite UHT Integral: Subiu em 20 cidades (Campo Grande registrou +9,20%). A justificativa técnica reside na “menor oferta de leite no campo, por causa da entressafra, e a maior demanda”.
Os dados mostram que o açúcar ficou mais barato em 19 cidades, com destaque para Goiânia (-4,91%). Apesar do período de entressafra, a “projeção de maior oferta de açúcar, devido à alta produção no Brasil e em outros países” reduziu o preço para o consumidor.
*Com informações de Conab