[Foto: Ilustrativa/ Google AI]
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta segunda-feira (06/04), um plano de ação para intensificar o controle sobre os medicamentos injetáveis agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. A medida surge após a identificação de irregularidades na manipulação de ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, além de um volume de importação de insumos considerado incompatível com o mercado nacional.
Explosão de insumos e interdições
Os dados revelados pela agência apontam que apenas no segundo semestre de 2025, o Brasil importou mais de 100 kg de insumos, volume suficiente para a produção de aproximadamente 20 milhões de doses. O descompasso motivou 11 inspeções em farmácias de manipulação e importadoras somente em 2026, resultando na interdição de oito empresas por problemas técnicos e ausência de controle de qualidade.
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, destacou que o foco principal é a segurança do paciente. “A questão do controle de qualidade permeia toda a nossa fala, acho que esse é o foco mais importante que é trazer produtos seguros e com garantia de qualidade e eficácia para a população brasileira”, afirmou Safatle.
Riscos à saúde e uso indevido
A preocupação da agência fundamenta-se no crescimento irregular da manipulação, que pode comprometer a saúde pública. Para injetáveis, a garantia de padrões rígidos de esterilidade e pureza é fundamental. Entre os riscos mapeados pela fiscalização estão:
- Produção sem previsão de demanda individualizada;
- Falhas graves nos processos de esterilização;
- Deficiências no controle de qualidade;
- Uso de insumos farmacêuticos sem identificação de origem e composição.
Desde janeiro de 2026, a Anvisa já publicou 10 ações de proibição envolvendo a importação, o comércio e o uso desses produtos irregulares.
Queda de patente e novos registros
Com a expiração da patente da semaglutida no Brasil em 20 de março, o mercado aguarda novas opções. Atualmente, existem oito processos em análise para novos medicamentos com o mesmo princípio ativo do Ozempic, além de outros nove produtos aguardando o início da avaliação técnica.
O novo plano da Anvisa divide-se em eixos estratégicos, incluindo a revisão da RDC 67/2007 (boas práticas de manipulação) e da Nota Técnica 200/2025. A agência também fará uma busca ativa de eventos adversos junto a hospitais e clínicas de emergência para monitorar reações ligadas ao uso de medicamentos manipulados.
Plano de Ação Anvisa
Combate a Irregularidades: Canetas Emagrecedoras (GLP-1)
08
Empresas Interditadas10
Proibições (desde Jan/26)17
Registros em AnálisePrincipais Medidas Anunciadas
Aprimoramento Regulatório
Revisão da RDC 67/2007 (Boas Práticas de Manipulação) e da Nota Técnica 200/2025 para endurecer o controle de insumos.
Fiscalização Intensiva
Inspeções rigorosas em importadoras, farmácias de manipulação e clínicas de estética com foco em esterilidade e pureza.
Busca Ativa de Riscos
Monitoramento de eventos adversos em serviços de emergência e hospitais vinculados ao uso de injetáveis manipulados.
Prioridade de Registro
Aceleração da análise de 17 pedidos de registro para aumentar a oferta de produtos seguros após a queda da patente da semaglutida.
Riscos Mapeados pela Agência
- Produção sem previsão de demanda (receita individualizada).
- Falhas graves nos processos de esterilização de injetáveis.
- Uso de insumos sem identificação clara de origem e composição.
- Divulgação e venda de produtos sem registro sanitário.
*Com informações de Anvisa