[Foto: Ilustrativa / Aline / GE]
A mobilização nacional contra a gripe em 2026 começou com números expressivos e alta adesão popular. De acordo com o balanço inicial da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, mais de 2,3 milhões de doses já foram aplicadas nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. O grande motor desse resultado foi o “Dia D”, realizado no último sábado (28/3), que sozinho contabilizou 1,6 milhão de imunizações.
A estratégia do Ministério da Saúde priorizou os grupos mais vulneráveis, que responderam prontamente ao chamado: crianças, gestantes e idosos concentraram 94% das doses aplicadas durante a mobilização de sábado. Para sustentar esse ritmo, o Governo Federal informou que já distribuiu 15,7 milhões de doses aos estados, garantindo o estoque necessário para as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e postos volantes em locais de grande circulação.
Apelo pela Vida: “Vacinar é um ato de amor”
Em pronunciamento oficial, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que a vacina é a ferramenta mais eficaz para reduzir em até 60% o risco de internação. Padilha destacou o esforço para recuperar as coberturas vacinais após anos de retrocesso:
“Recebemos um país ameaçado pela volta de doenças que haviam sido erradicadas, mas que, por conta do descaso e do negacionismo, voltaram a preocupar. Em três anos, revertemos esse cenário. Com o apoio dos profissionais do SUS e das famílias brasileiras, ampliamos a vacinação em todas as 16 vacinas do calendário infantil”, afirmou o ministro.
Ele ainda completou com um apelo emocional às famílias: “Não negue ao seu filho um direito que nossos pais não nos negaram. Vacinar é também um ato de amor à sua família.”
Guia de Vacinação Influenza 2026
- Crianças (6 meses a < 6 anos)
- Idosos (60 anos ou mais)
- Gestantes
- Puérperas
- Povos indígenas e Quilombolas
- Trabalhadores da saúde
- Professores (Básico e Superior)
- Pessoas com comorbidades
- Pessoas com deficiência permanente
- Caminhoneiros e Rodoviários
- Trabalhadores portuários e Correios
- Forças de Segurança e Armadas
- Pessoas em situação de rua
- População privada de liberdade
Cenário epidemiológico: Influenza A supera Covid-19 em mortalidade
A urgência da campanha é reforçada por dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz na quinta-feira (26/03), aponta um aumento sustentado de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todas as unidades da Federação. Até 14 de março, o Brasil notificou 14,3 mil casos de SRAG, com 840 óbitos.
Os dados mosntram que entre as mortes confirmadas nas últimas quatro semanas, a Influenza A foi responsável por 35,9% dos óbitos, superando a Covid-19, que registrou 29,1%. O vírus da gripe é o principal causador de hospitalizações entre adultos e idosos, enquanto o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) afeta severamente bebês menores de 2 anos e o rinovírus lidera internações na faixa de 2 a 14 anos.
Mapa do risco e particularidades regionais
Atualmente, 22 das 27 capitais estão em níveis de alerta ou alto risco, incluindo Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Belo Horizonte. O vírus avança com força no Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Amapá e Rondônia.
Já na Região Norte, o calendário segue uma lógica diferente. Devido às condições climáticas de altas temperaturas e umidade, que alteram a dinâmica de transmissão, a vacinação ocorrerá apenas no segundo semestre.
Combate à desinformação
Para frear boatos sobre os componentes da vacina, a Anvisa reafirma que o imunizante é “seguro, eficaz e rigorosamente testado”. A agência esclareceu que substâncias como o mercúrio (conservante) e o formaldeído (usado para inativar o vírus) estão presentes em quantidades ínfimas, menores do que o corpo humano produz naturalmente ou encontra no meio ambiente, sendo eliminadas rapidamente sem causar danos.
A pesquisadora Tatiana Portella, da Fiocruz, orienta que, além da vacina, a prevenção deve incluir o uso de máscaras (PFF2 ou N95) em locais aglomerados e o isolamento domiciliar em caso de sintomas.
Estratégia Nacional e Investimento no SUS
Para sustentar a mobilização de 2026, o Ministério da Saúde, por meio do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI), estabeleceu um conjunto de ações baseadas no microplanejamento local. O foco central é a erradicação de doenças imunopreveníveis e a proteção coletiva. Como suporte a essa estrutura, a Portaria GM/MS nº 10.205, de 5 de fevereiro de 2026, instituiu um incentivo financeiro excepcional e temporário. Esse recurso, repassado em parcela única aos estados e municípios, é destinado especificamente à vacinação nas escolas, atualização de cadernetas de menores de 15 anos e ao enfrentamento de emergências sanitárias.
Calendário de vacinação e foco na Influenza
Nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, a campanha contra a Influenza segue um cronograma rigoroso para reduzir hospitalizações antes do inverno. Iniciada oficialmente com o Dia “D” em 28 de março, a mobilização estende-se até o dia 30 de maio de 2026. A orientação para os cidadãos é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima com o documento de identificação e, se possível, a caderneta de vacinação.
Próximas fases: Escolas e atualização de caderneta
O esforço de imunização deste ano não termina com a gripe. Entre 1 de abril e 31 de maio, o foco do governo se volta para o ambiente escolar, com a oferta de vacinas para crianças e adolescentes menores de 15 anos diretamente nas instituições de ensino. Já no segundo semestre, entre 3 de agosto e 1 de setembro, ocorrerá a Estratégia de Atualização da Caderneta de Vacinação em todo o país, com um novo Dia “D” nacional programado para 8 de agosto de 2026.
Repasses financeiros por estado
Para viabilizar a logística e as ações integradas, o Ministério da Saúde detalhou os montantes destinados a cada Unidade da Federação. Confira os valores de alguns dos estados beneficiados pela Portaria:
| UF | Vacinação Escola | Demais Ações | Valor Total |
|---|---|---|---|
| Acre | R$ 111.911,47 | R$ 66.944,80 | R$ 178.856,27 |
| Alagoas | R$ 446.835,40 | R$ 142.640,65 | R$ 589.476,05 |
| Amazonas | R$ 33.922,46 | R$ 418.802,24 | R$ 452.724,70 |
| Bahia | R$ 271.860,03 | R$ 695.598,66 | R$ 967.458,69 |
| Distrito Federal | R$ 390.730,88 | R$ 710.902,64 | R$ 1.101.633,52 |
| Minas Gerais | R$ 280.258,69 | R$ 947.022,95 | R$ 1.227.281,64 |
| Rio de Janeiro | R$ 330.421,42 | R$ 408.218,99 | R$ 738.640,41 |
| São Paulo | R$ 118.791,59 | R$ 1.322.202,55 | R$ 1.440.994,14 |
*Para a lista completa de municípios e valores, consulte os anexos da Portaria GM/MS nº 10.205/2026.