[Foto: Richard Souza / GE]
A política do Rio de Janeiro registrou uma reviravolta na noite desta segunda-feira (30/03). O deputado estadual Jair Bittencourt (PL) anunciou seu pedido de exoneração do cargo de Secretário de Estado de Governo, apenas uma semana após ter sido nomeado para uma das funções mais estratégicas do Palácio Guanabara. A exoneração do parlamentar foi publicada no Diário Oficial do estado nesta terça-feira (31/03).
Em um pronunciamento detalhado realizado às 22h da segunda (30), Bittencourt justificou sua decisão baseando-se na instabilidade dos prazos políticos e na necessidade de preservação das instituições.
A incerteza de prazos como motivo central
A Secretaria de Governo é o motor da articulação política do estado. Bittencourt aceitou o convite em 22 de março, pouco antes da renúncia de Cláudio Castro, sob a premissa de que a atual crise institucional teria um desfecho rápido.
“Quando eu fui convidado para assumir a secretaria, nós achávamos que todo esse processo que está acontecendo ia ocorrer em uma semana, talvez em dez dias, e hoje nós não temos data para que isso acabe”, revelou o deputado.
Segundo o parlamentar, a “magnitude” da pasta, que coordena desde o atendimento institucional a grandes prefeituras até a conexão entre todas as secretarias de estado, exige uma previsibilidade que o momento atual não oferece. Para Bittencourt, permanecer no cargo técnico em meio a um processo sem data para acabar comprometeria a eficiência do serviço público.
O retorno à Alerj e a defesa de eleições diretas
Ao deixar o Executivo, Jair Bittencourt não apenas retoma sua cadeira na Assembleia Legislativa (Alerj), mas também marca um posicionamento político que deve pautar os próximos debates no estado. Ele declarou abertamente seu apoio para a realização de eleições diretas para resolver a sucessão estadual.
“Nosso mandato é em defesa do povo do Estado do Rio de Janeiro, que o nosso mandato defende as eleições diretas para governador a qualquer tempo e que acreditamos nas decisões do Supremo Tribunal Federal e da preservação das instituições do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou de forma categórica.
Quem é Jair Bittencourt e o que muda no Governo
Natural de Itaperuna, Jair Bittencourt é advogado, produtor rural e uma das principais vozes do interior fluminense. Sua trajetória inclui:
- Prefeito de Itaperuna (2005-2008);
- Secretário de Agricultura em duas gestões (2017 e 2023);
- Primeiro titular da SEDIPAF (2025), com foco em pequenos produtores e pesca.
Sua saída deixa vaga a coordenação de programas de alta visibilidade e impacto direto na segurança e cidadania, como o Segurança Presente, a Operação Lei Seca, o RJ Para Todos e o Me Leva RJ.
Bittencourt encerrou seu ciclo no governo reafirmando que, apesar de ter um lado claro na “família da direita”, manteve um diálogo republicano com todos os prefeitos e deputados, sem distinção ideológica.
Raio-X da Saída de Jair Bittencourt
Entenda o cenário: A reestruturação política do Rio de Janeiro
O pedido de exoneração de Jair Bittencourt ocorre em meio a uma das maiores reviravoltas institucionais da história recente do Rio de Janeiro. O estado atravessa um processo de “reestruturação” nas esferas de poder, motivado por uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que condenou a cúpula do governo por abuso de poder político e econômico. O caso central envolve o desvio de finalidade na Fundação Ceperj e na Uerj, onde contratações irregulares de quase 28 mil pessoas teriam sido usadas para obter vantagem nas eleições de 2022.
A consequência imediata dessa condenação foi a inelegibilidade por oito anos do ex-governador Cláudio Castro, do deputado Rodrigo Bacellar e de Gabriel Lopes (ex-presidente da Ceperj). Mesmo tendo renunciado na véspera do julgamento, Castro não escapou da sanção. Além disso, o tribunal impôs multas pesadas, chegando a 100 mil UFIRs para os principais envolvidos, devido à gravidade das condutas que, segundo a Ministra Cármen Lúcia, incluíram “pagamentos em espécie” e tentativas de burlar a transparência pública.
Nesta terça-feira (31), o TRE-RJ dá um passo decisivo nesse processo com a retotalização dos votos para a Alerj. Como os 97.822 votos de Rodrigo Bacellar foram anulados, o tribunal precisa recalcular o quociente eleitoral para definir quem herdará as cadeiras na Assembleia Legislativa.
O que muda a partir de agora?
- Na Assembleia (ALERJ): A retotalização pode alterar a distribuição das bancadas. Novos deputados podem assumir cadeiras com base no recálculo das médias partidárias.
- No Executivo: O Rio de Janeiro poderá ter novas eleições indiretas para escolher quem comandará o estado após a saída de Cláudio Castro.