O legado de Ayrton Senna está prestes a receber uma das maiores honrarias do Estado brasileiro. A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (16/03/2026), o Projeto de Lei 789/2024, que inscreve o nome do tricampeão mundial de Fórmula 1 no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
De autoria do senador Marcos Pontes (PL-SP) e com relatoria da deputada Caroline de Toni (PL-SC), a proposta reconhece que a figura de Senna transcende o esporte. Segundo o relatório aprovado, o piloto é um símbolo de “excelência, patriotismo e compromisso com causas sociais”, preenchendo todos os requisitos da Lei 11.597/2007, que regula as homenagens no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.
Além das pistas: Um ícone nacional
Ayrton Senna, falecido em 1994 no GP de San Marino, é mundialmente aclamado pelos títulos de 1988, 1990 e 1991. Contudo, o projeto destaca que sua inclusão no Livro de Aço justifica-se por sua contribuição filantrópica, especialmente na educação, e por sua capacidade de inspirar gerações.
Para o autor, Marcos Pontes, a homenagem é um lembrete das qualidades exemplificadas pelo piloto: “Sua carreira foi destacada pelo talento excepcional, esforço incansável e uma vontade inabalável de vencer, o que o distingue entre seus contemporâneos”. A relatora, Caroline de Toni, reforçou em seu voto a constitucionalidade e a importância da medida para a identidade nacional.
Próximos passos para a sanção
Como o projeto já foi aprovado pelo Senado e tramita na Câmara em caráter conclusivo, o caminho para a oficialização é curto. Se não houver recurso para votação em Plenário dentro do prazo de cinco sessões, o texto seguirá diretamente para a sanção presidencial.
Entenda a Homenagem
O que é o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria?
É um livro com páginas de aço guardado no Panteão da Pátria, em Brasília, que homenageia brasileiros que dedicaram a vida à defesa e construção do país.
Por que Ayrton Senna foi escolhido?
Pelos seus feitos esportivos mundiais, sua determinação inabalável, patriotismo e seu legado filantrópico na educação brasileira.
O projeto já é lei?
Ainda não. Ele foi aprovado pela CCJ da Câmara e agora aguarda o prazo de recurso para seguir para sanção presidencial.
Qual o papel do Instituto Ayrton Senna no texto?
O projeto destaca as contribuições filantrópicas de Senna, que foram consolidadas através do trabalho social e educacional do instituto que leva seu nome.
A visão do Instituto Ayrton Senna
Para o Instituto Ayrton Senna, a inclusão do nome do piloto no Panteão da Pátria é recebida com profunda distinção. Em nota oficial, a organização afirmou sentir-se honrada com a decisão da CCJ, destacando que a homenagem valida a filosofia de vida do tricampeão. “Ayrton Senna acreditava que talento só se realiza quando há oportunidade, disciplina, método e persistência, valores que orientaram sua trajetória e que hoje sustentam nossa missão”, declarou o Instituto. Segundo a entidade, o reconhecimento oficial do Estado brasileiro fortalece a determinação em “transformar o legado de Ayrton Senna em ação concreta, aplicada à educação, para ampliar possibilidades de vida de crianças e jovens em escala”.
Mais do que um tributo às glórias nas pistas, a imortalização no “Livro de Aço” coroa uma jornada social que já perdura por 31 anos. O Instituto ressalta que sua atuação busca garantir que o desejo de Senna de ver um Brasil mais justo continue relevante para as futuras gerações. “O recebimento da homenagem reforça nossa força em honrar esse sonho”, pontuou a instituição, que já soma mais de 40 milhões de atendimentos em cerca de 3,3 mil municípios brasileiros.
Para a organização, a educação integral é o pilar que sustenta essa indicação ao Panteão da Pátria, servindo como ferramenta de transformação de trajetórias e fortalecimento humano. “O Instituto existe para garantir que o sonho de Ayrton Senna continue vivo no presente e relevante para o futuro: educação integral como caminho para transformar trajetórias, fortalecer pessoas e fazer sistemas funcionarem melhor”, concluiu o posicionamento oficial.
Ayrton Senna
Ayrton Senna da Silva (1960–1994) foi muito mais que um piloto; foi um fenômeno de carisma e intelecto que, segundo a Fórmula 1, “iluminou a Fórmula 1 como nunca antes”. Sua paixão começou aos quatro anos com um kart dado pelo pai. Aos 13, já vencia competições e, em pouco tempo, abriu mão dos negócios da família para buscar a glória na Europa.
Estreou em 1984 pela Toleman, deixando o mundo atônito ao quase vencer o GP de Mônaco sob chuva torrencial. Após três anos na Lotus, onde acumulou vitórias e recordes de pole positions, atingiu o ápice na McLaren. Lá, conquistou seus três campeonatos mundiais (1988, 1990 e 1991) e protagonizou a rivalidade mais intensa da história contra Alain Prost. Senna era conhecido pela busca obsessiva da perfeição e por pilotar “além da compreensão consciente”.
Fora do cockpit, Senna era uma personalidade cativante e eloquente e nutria um amor profundo pelo Brasil. O Instituto Ayrton Senna destaca que o piloto “sonhava com um país onde todos tivessem a oportunidade de serem vitoriosos”. Ele doou milhões de sua fortuna pessoal para ajudar crianças carentes, mantendo sua filantropia em sigilo durante a vida.
O acidente que tirou a vida de Ayrton Senna aconteceu em 1º de maio de 1994, no GP de San Marino, em Ímola. Sua morte causou comoção mundial e um funeral de Estado no Brasil. O desejo do piloto de transformar o país não morreu com ele: sua irmã, Viviane Senna, fundou o Instituto que leva seu nome em novembro de 1994. Hoje, o legado de Ayrton Senna deixa de ser apenas esportivo para se tornar educacional, impactando milhões de jovens.
Aos 4 anos ganha seu primeiro kart. Aos 13, estreia oficialmente em competições e vence logo na primeira corrida.
Muda-se para a Grã-Bretanha e conquista 5 campeonatos de monopostos em apenas 3 anos, chamando a atenção da F1.
Estreia pela Toleman. Sob chuva torrencial em Mônaco, sai de 13º para 2º lugar, quase vencendo Alain Prost.
Conquista suas primeiras vitórias e assombra o mundo com 16 pole positions em 3 temporadas.
Vence 8 das 16 corridas e conquista seu 1º Campeonato Mundial após duelo épico com Prost.
Conquista o 2º Título em Suzuka, Japão, consolidando-se como o melhor piloto da época.
Vence em Interlagos apenas com a 6ª marcha e garante seu 3º Título Mundial.
Alcança o recorde de 6 vitórias em Mônaco e realiza em Donington a considerada “melhor primeira volta da história”.
Falece em Ímola. Em novembro, a família funda o Instituto Ayrton Senna para realizar seu sonho de educar o Brasil.
Aprovado pela CCJ para figurar no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília.
O que é o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria?
O título de herói ou heroína da pátria é uma honraria oficial concedida a personalidades que desempenharam um papel fundamental na defesa ou na construção do Brasil. O registro desses nomes é feito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, também conhecido como “Livro de Aço”, devido ao fato de suas páginas serem literalmente formadas por lâminas de metal. A obra fica abrigada no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Criado em 1992, o memorial reúne protagonistas da liberdade e da democracia que dedicaram suas vidas ao país em diferentes momentos da história. Para que um novo personagem seja inscrito no livro, é necessária a aprovação de uma lei específica pelo Congresso Nacional. Até março de 2023, o Livro de Aço contava com 64 títulos inscritos, abrangendo uma diversidade de perfis, como militares, escritores, intelectuais, políticos, inventores e músicos.
Ao lado de nomes históricos como Tiradentes, Anita Garibaldi, Zumbi dos Palmares e Santos Dumont, figuram também ícones da cultura e da ciência, como Machado de Assis e Chico Xavier. Agora, com o avanço do projeto de lei na Câmara, Ayrton Senna caminha para se tornar o próximo nome a ser imortalizado neste seleto grupo, consolidando seu legado de patriotismo e excelência como patrimônio oficial da nação brasileira.