Em contato direto com a nossa reportagem, o cantor Vitinho se manifestou sobre o cancelamento do evento III Samba Infinity, que aconteceria na noite deste sábado (21/03) no Infinity Hall, em Itaperuna, no noroeste fluminense. O show foi barrado por uma notificação judicial devido à incapacidade de garantir a integridade do público diante da atual escalada de crimes.
Ao ser questionado sobre o impacto da decisão, o artista não escondeu o abatimento, mas demonstrou total apoio às medidas de preservação da vida.
“Decisão que não dependeu da gente”
O cantor, que é uma das maiores referências do pagode atual, enfatizou que o desejo de subir ao palco era mútuo entre ele e os fãs de Itaperuna, mas que o cenário crítico da segurança pública exigiu cautela extrema.
“Fala, minha galera de Itaperuna! Quero começar dizendo que eu também fiquei muito triste com o cancelamento do show de hoje. Eu sei o quanto vocês estavam esperando por esse momento, assim como eu. Infelizmente, foi uma decisão que não dependeu da gente, foi por questões de segurança, e nesse caso, a gente precisa respeitar e pensar no bem de todo mundo.”
Empatia e compromisso com o público
Vitinho fez questão de enviar uma mensagem de carinho à população do Noroeste Fluminense, que atravessa uma semana marcada por ataques em bairros como CEHAB, Matinada e Fiteiro. “Mas quero que vocês saibam que eu tô com o coração aí com vocês. De verdade”, declarou o cantor.
Sobre os prejuízos financeiros de quem adquiriu ingressos para o evento, que contava com lotes de até R$ 100,00, o artista tranquilizou seus seguidores: “Pra quem já garantiu ingresso, fiquem tranquilos que todas as informações de estorno já estão sendo organizadas pelos responsáveis do evento.”
O cantor encerrou sua fala projetando um futuro onde a música possa retornar à cidade sem o medo da violência: “E eu espero que a gente consiga se encontrar em breve, do jeito que tem que ser: com alegria, música e todo mundo seguro. Obrigado pelo carinho de sempre.”
Comunicado Exclusivo
Fala, minha galera de Itaperuna!
Quero começar dizendo que eu também fiquei muito triste com o cancelamento do show de hoje. Eu sei o quanto vocês estavam esperando por esse momento, assim como eu.
Infelizmente, foi uma decisão que não dependeu da gente, foi por questões de segurança, e nesse caso, a gente precisa respeitar e pensar no bem de todo mundo.
Mas quero que vocês saibam que eu tô com o coração aí com vocês. De verdade.
Pra quem já garantiu ingresso, fiquem tranquilos que todas as informações de estorno já estão sendo organizadas pelos responsáveis do evento.
E eu espero que a gente consiga se encontrar em breve, do jeito que tem que ser: com alegria, música e todo mundo seguro.
Obrigado pelo carinho de sempre.
O cancelamento do show
O cancelamento foi anunciado pela organização do evento na manhã deste sábado (21/03). A decisão, segundo a nota do III Samba Infinity, não foi voluntária, mas fruto de uma notificação judicial recebida pela organização na véspera, proibindo a realização do show devido à incapacidade de garantir a integridade do público diante da atual escalada de crimes.
Em nota oficial, a organização do Samba Infinity expressou um sentimento de “estarrecimento e impotência”. O comunicado confirma que a proibição judicial visa “a segurança da Infinity e do público que estaria presente”, citando diretamente a escalada da violência urbana.
O evento contaria com apresentações de Vitinho, Pagode do Adame, Vá de Samba e DJ Igão. Para quem adquiriu ingressos no 3º lote — com valores de R$ 70,00 (Premium) e R$ 100,00 (Camarote) —, o estorno foi garantido:
- Início do estorno: Quarta-feira, 25/03.
- Procedimento: Via site para compras online ou nos postos de venda para ingressos físicos.
Entenda a crise
Um dos primeiros sinais de alerta que culminaria no cancelamento do show, neste sábado, ocorreu no bairro CEHAB, na sexta-feira (13/03). Disparos atingiram a quadra anexa à Escola Municipal Francisco de Mattos Ligiero durante um projeto social. Quatro pessoas foram baleadas: dois adolescentes e uma professora voluntária de zumba. Embora as vítimas estejam estáveis no Hospital São José do Avaí, o episódio instaurou o medo na comunidade escolar.
Na última quarta-feira, a violência reapareceu com ataques nos bairros Matinada e Fiteiro. Na Matinada, criminosos em uma moto atiraram contra uma adega, matando um inocente.
O delegado titular da 143ª DP, Carlos Augusto Guimarães, foi enfático ao descrever a motivação torpe do segundo ataque, no Fiteiro, onde o filho de um policial militar foi morto em um bar: “Homicídios qualificados pela motivação torpe, que é essa rivalidade imbecil, banal, existente entre grupos de criminosos rivais. Ele efetuou disparos contra pessoas em um bar, que estavam indefesas assistindo jogo de futebol.”
Sobre as vítimas da adega, o delegado reforçou a ausência de ligação com o crime:
“A gente comprovou aqui que essas pessoas não têm anotações criminais, não têm inicialmente envolvimento com o tráfico de drogas, porém, verificamos que o ataque foi praticado por indivíduos faccionados.”
Estatísticas e a resposta do Poder Público
Os números do Instituto de Segurança Pública (ISP) traduzem o medo em dados:
- Letalidade Violenta: 5 casos em fevereiro de 2026 contra 2 em fevereiro de 2025.
- Homicídios Dolosos: O índice dobrou no comparativo anual (de 2 para 4 registros).
Diante deste cenário, o prefeito Emanuel Medeiros, o Nel (PP), admitiu a gravidade: “Tenho tirado até noite de sono porque aumentou muito o crime na cidade”. Ele anunciou o monitoramento facial em toda a cidade dentro de 30 dias e o cercamento eletrônico das entradas do município. No comando operacional, a Tenente-Coronel Michelle assumiu o 29º BPM no dia 17/03, tornando-se a primeira mulher a liderar a unidade no momento mais crítico da segurança local.
Linha do Tempo: Crise de Insegurança em Itaperuna
Tiros atingem a quadra da Escola Municipal Francisco de Mattos Ligiero. Uma professora e dois adolescentes ficam feridos durante aula de zumba.
Integrantes do CV em uma moto disparam contra uma adega. Uma pessoa morre e dois ficam feridos.
Facção rival planeja vingança contra o bairro Fiteiro. Segundo a polícia, alvos foram escolhidos aleatoriamente em uma “rivalidade imbecil”.
Vitor Hugo e um adolescente chegam pela mata. O menor aponta alvos enquanto o executor atira contra famílias que assistiam futebol.
O filho de um Policial Militar é morto. O pai reage à agressão e consegue balear o adolescente agressor na perna.
O adolescente busca socorro médico, confessa o crime e entrega o comparsa Vitor Hugo. A balaclava usada no crime é apreendida.
Polícia Civil apreende a moto usada no primeiro ataque. Vitor Hugo e o menor são autuados por triplo homicídio (1 consumado, 2 tentados).