[Foto: Ilustrativa / LensGO]
O outono começa nesta sexta-feira (20/03) com um sinal de alerta para a saúde pública brasileira. O mais recente Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), referente à Semana Epidemiológica (SE) 10, aponta um aumento precoce na circulação da influenza A no país. O fenômeno chama a atenção por ocorrer antes do período de sazonalidade convencional do vírus, que costuma registrar maior atividade apenas durante os meses mais frios de outono e inverno.
De acordo com a análise, a influenza A está avançando em nível nacional e é o principal motor do aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em estados como Mato Grosso, Rio de Janeiro, Espírito Santo, além da maioria do Nordeste e partes da região Norte (Amapá, Pará e Rondônia).
O cenário das internações por idade
O levantamento detalha que diferentes vírus estão atingindo faixas etárias específicas:
- Crianças e Adolescentes: O principal responsável pelas hospitalizações tem sido o rinovírus (especialmente entre 2 e 14 anos).
- Crianças Pequenas: O vírus sincicial respiratório (VSR) segue contribuindo para o crescimento de SRAG em menores de dois anos.
- Jovens, Adultos e Idosos: A influenza A é a causa predominante.
- Idosos: A Covid-19 afeta principalmente esta faixa, embora concentrada em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, com níveis de incidência ainda baixos.
Até o momento, o ano epidemiológico de 2026 já notificou 20.311 casos de SRAG. Destes, 37% tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório.
Estratégia de vacinação 2026
Para conter o avanço das doenças imunopreveníveis, o Ministério da Saúde definiu o calendário de vacinação contra a influenza para as regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste: de 28 de março a 30 de maio, com o “Dia D” marcado para a abertura da campanha.
A pesquisadora da Fiocruz, Tatiana Portella, reforçou a urgência da imunização: “A principal forma de prevenção contra os casos graves e óbitos é a vacina. Já temos a vacina contra o VSR para as gestantes e no dia 28 começa a vacinação contra a influenza A para os grupos prioritários”.
Estados e capitais em alerta
Segundo os dados apresentados pela Fiocruz, a tendência de longo prazo aponta crescimento de casos em quase todo o território nacional. Atualmente, 20 estados e 18 capitais apresentam níveis de atividade de SRAG em patamares de alerta ou risco. Entre as capitais afetadas estão Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Manaus.
No que diz respeito à mortalidade em 2026, o Sars-CoV-2 (Covid-19) ainda responde pela maior fatia dos óbitos positivos (37,3%), seguido de perto pela influenza A (28,6%) e pelo rinovírus (21,8%).