[Foto: Ilustrativa / LensGo]
O ensino superior brasileiro enfrenta um desafio que vai além do acesso: a permanência. Segundo os dados do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026, elaborado pelo Instituto Semesp e divulgado nesta quinta-feira (19/03), a evasão acadêmica mantém-se em patamares alarmantes, atingindo de forma severa a modalidade de educação à distância (EAD). Em 2024, 41,6% dos alunos matriculados no EAD abandonaram seus cursos antes da formatura, um índice significativamente superior aos 24,8% registrados no ensino presencial.
A evasão, caracterizada pela saída do estudante sem a obtenção do diploma (seja por abandono ou desistência formal), tornou-se um problema estrutural. Embora o setor tenha registrado um crescimento de 2,5% nas matrículas totais entre 2023 e 2024, a capacidade de levar esse aluno até o fim da graduação não acompanhou o mesmo ritmo, especialmente na rede privada, que concentra 95,9% das matrículas da modalidade à distância.
Em 2024, pela primeira vez, o EAD tornou-se a modalidade majoritária no país, respondendo por 50,7% de todas as matrículas. No entanto, essa expansão massiva revela fragilidades no modelo pedagógico. Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, aponta que a estratégia de barateamento dos cursos comprometeu o suporte ao estudante.
Desigualdade e o perfil do estudante
O levantamento destaca que a desigualdade entre as redes pública e privada é um fator determinante. No ensino presencial, a evasão na rede privada foi de 26,6% em 2024, contra 21,4% na pública. Já no EAD privado, a taxa de desistência chegou a 41,9%, superando os 32,2% da rede pública.
O perfil do aluno de EAD também ajuda a explicar os números. Em 2024, 67,3% dos estudantes dessa modalidade tinham 25 anos ou mais, uma faixa etária que frequentemente enfrenta a dificuldade de conciliar os estudos com o trabalho e a necessidade de geração de renda. No ciclo acumulado de 2020 a 2024, a desistência na EAD atingiu a marca de 68,1%, o que significa que mais de dois terços dos ingressantes não concluíram a jornada acadêmica.
Concentração de mercado e falta de incentivos
Outro dado crítico revelado pelo Mapa é a concentração do sistema. Apenas 1,2% das instituições privadas detêm 55,1% de todas as matrículas do país. Essa lógica de escala é mais acentuada nas instituições de “mega porte”, onde a desistência acumulada chega a 69,2%, enquanto em instituições pequenas o índice é de 53,3%.
Paralelamente, os mecanismos de fomento perdem relevância. O Fies hoje atende menos de 1% dos ingressantes, e o Prouni respondeu por apenas 3,1% dos alunos que entraram na rede privada em 2024. Com o financiamento em baixa e a taxa líquida de escolarização de jovens entre 18 e 24 anos estagnada em 20,8%, o cenário reforça que as políticas de expansão do acesso, sozinhas, são insuficientes sem estratégias robustas de apoio acadêmico e financeiro que garantam a formatura.
| Pergunta | Resposta Baseada no Mapa Semesp 2026 |
|---|---|
| O que é considerado evasão escolar? | É a saída do estudante do curso antes da conclusão e sem o diploma, incluindo abandono ou desistência formal. |
| Qual a taxa de desistência no EAD em 2024? | A taxa anual foi de 41,6%, sendo que na rede privada o índice chegou a 41,9%. |
| Por que o EAD tem mais abandono que o presencial? | Pelo modelo de aulas assíncronas que exige muita autonomia do aluno e pelo menor uso de recursos humanos nas instituições. |
| Qual o impacto do porte da instituição na evasão? | Quanto maior a instituição, maior a desistência. Nas de “mega porte”, o índice acumulado chega a 69,2%. |
| Qual a porcentagem de jovens de 18 a 24 anos na faculdade? | A taxa líquida de escolarização para essa faixa etária está estagnada em 20,8%. |