[Foto: Richard Souza / AN]
O Ministério da Saúde, iniciou nesta quinta-feira (05/03), a oferta de um novo tratamento contra a malária para crianças e adolescentes com menos de 16 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). A nova estratégia utiliza a tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para pacientes com peso entre 10 kg e 35 kg. Até então, o medicamento era disponibilizado apenas para pessoas a partir de 16 anos.
Segundo o ministério, o público infantil concentra cerca de 50% dos casos da doença no país. A distribuição do medicamento está sendo realizada de forma gradual, com prioridade para áreas da região Amazônica. Com a medida, o Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a disponibilizar esse tipo de tratamento para crianças.
Inicialmente, serão distribuídos 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica para ampliar o controle da doença no território nacional. O medicamento passou a ser indicado para pessoas diagnosticadas com malária vivax (Plasmodium vivax), com peso acima de 10 kg, que não estejam grávidas ou em período de amamentação.
De acordo com o Ministério da Saúde, a nova apresentação do medicamento será administrada em dose única. O formato substitui o esquema terapêutico anterior, que podia exigir tratamento por até 14 dias e dificultava a adesão, especialmente entre crianças.
A pasta informou que a dose única proporciona mais praticidade para famílias e profissionais de saúde, favorece a adesão ao tratamento, contribui para a eliminação completa do parasita e ajuda a prevenir recaídas da doença. O ministério também destacou que o medicamento permite ajuste da dose conforme o peso da criança.
Para a implementação da medida, o governo federal investiu R$ 970 mil na compra do medicamento. Até o momento, já foram recebidas 64.800 doses, destinadas principalmente a áreas de maior incidência da doença, como os Distritos Sanitários Especiais Indígenas Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes.
Esses territórios concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos. O primeiro local a receber o novo medicamento foi o DSEI Yanomami, que recebeu 14.550 comprimidos. A região já havia sido a primeira do país a receber a tafenoquina de 150 mg, destinada a pacientes com mais de 16 anos, em 2024.
O Ministério da Saúde reconhece que a malária continua sendo um dos principais desafios de saúde pública na região Amazônica, especialmente em áreas de difícil acesso e em territórios indígenas, onde fatores geográficos e sociais ampliam a vulnerabilidade à doença.
A pasta informou que mantém ações de monitoramento da doença, reforço no controle do vetor, busca ativa de casos e ampliação da oferta de testes rápidos na região.
Entre 2023 e 2025, no território Yanomami, houve aumento de 103,7% na realização de testes e crescimento de 116,6% no número de diagnósticos. No mesmo período, os óbitos por malária tiveram redução de 70%.
Em todo o país, 2025 registrou 120.659 casos da doença, o menor número desde 1979, com queda de 15% em relação a 2024. Nas áreas indígenas, a redução foi de 16%. A Amazônia concentra 99% dos casos de malária no Brasil e registrou 117.879 ocorrências da doença no ano passado.
*Com informações de Ministério da Saúde